Seis razões para deixar o Irã ter a bomba

August 28, 2010 - Leave a Response

Christopher Hitchens

Perdi a conta do número de colunas publicadas neste mês sobre a possibilidade de um ataque israelense às instalações nucleares secretas do Irã. As especulações não devem parar, pois a Rússia continua com sua política de ajudar Teerã a acelerar seu programa de reatores e as sanções contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad tiveram um progresso de milímetros. A contribuição mais significativa da mídia veio do meu amigo Jeffrey Goldberg, na capa da revista The Atlantic.

A partir da leitura desse artigo, dá pra ter certeza de uma coisa: o governo do premiê israelense, Benjamin Natanyahu, quer deixar claro que, na ausência de uma decisão dos Estados Unidos, seu país pode e vai organizar um ataque em um futuro não muito distante. Para o gabinete de Netanyahu, uma bomba iraniana é incompatível com a sobrevivência a longo prazo do Estado israelense e até do povo judeu.

Seria uma pena se o debate continuasse a ser conduzido nesses termos relativamente estreitos. Uma frase do texto de Goldberg ilustra o que quero dizer:

“Israel, disse-me Netanyahu, está preocupado com vários problemas, não somente que o Irã, ou um de seus procuradores, destrua Tel Aviv.”

Por que Tel Aviv? É a cidade mais secular, moderna e sexualmente tolerante de Israel, o que poderia torná-la alvo da ira apocalíptica dos mulás. Mas é também o lar de muitos árabes e muçulmanos, assim como nunca me canso de observar, ainda não foi inventada nenhuma arma de destruição em massa que possa fazer distinção com base em religião ou etnia.

Então, por que Netanyahu não disse Jerusalém, que ele e seu partido consideram ser a verdadeira capital de Israel? Certamente porque isso iria imediatamente levantar a questão sobre se a teocracia iraniana realmente pretende atingir o Domo da Rocha (o terceiro local mais sagrado para o islã) e outros pontos de veneração muçulmana. Isso sem falar sobre o número de palestinos que seriam mortos em um ataque desse tipo. Há algo de sectário, quase racista, na forma como esse aspecto da questão sempre é deixado de lado. Enfim, se o Irã conseguir se tornar uma potência nuclear, vai acontecer o seguinte:

1)      A lei internacional e a liderança das Nações Unidas vão estar irremediavelmente arruinadas. Os mulás terão quebrado todas as promessas solenes que já fizeram: à Agência Internacional de Energia Atômica; à União Europeia, que até agora foi sua principal interlocutora nas negociações; e às Nações Unidas.

2)      A Guarda Revolucionária, que no ano passado abriu seu caminho a tiros e estupro rumo a um poder quase absoluto no Irã, é também a guardiã do programa ilegal de armas. A consumação desse projeto reforçaria a face mais agressiva do regime.

3)      O poder da Guarda de projetar a violência para fora das fronteiras do Irã seria aumentado. Ficaria mais difícil conter qualquer subversão da democracia libanesa pelo Hezbollah, qualquer ataque de míssil contra Israel ou qualquer conluio iraniano com os talebans se isso envolvesse confronto com um país atômico.

4)      A mesma poderosa ambigüidade estratégicas se aplicaria no caso de qualquer avanço iraniano sobre um estado Árabe sunita vizinho no Golfo Pérsico, como o Bahrein.

5)      Nunca se chegará a um acordo na disputa Israel-Palestina. Os palestinos refratários vão ser mais ainda os procuradores de um regime que conclama a eliminação de Israel, e os judeus refratários vão acreditar ainda mais que fazer concessões seja uma perda de tempo.

6)      O conceito de “não proliferação nuclear”, tão caro aos bem-pensantes, irá direto para os livros de história, junto com a Liga das Nações.

Esses, então, são alguns dos preços a pagar por não desarmar o Irã. Não é óbvio que o interesse internacional em enfrentar essa questão deva ser muito mais forte que qualquer cálculo político no gabinete de Netanyahu?

Domingão

March 15, 2010 - One Response

Ônibus [f.red de auto-ônibus] S.m. 2 n. 1. Veículo automóvel para transporte público de passageiros, com itinerário preestabelecido. 2. P. ext. Qualquer veículo com capacidade para grande número de passageiros. [Sin. Ger.: auto-ônibus]

Aurélio Buarque de Holanda Ferreira


O motivo deste relato começa há aproximadamente dois anos atrás, quando decidi cursar relações internacionais assim que acabasse o colegial. Nascido em Bento Gonçalves, percebi que o único modo de estudar o que queria era morar em Porto Alegre. Ao mesmo momento, percebi que teria que viajar invariavelmente todos os fins de semana para a terra do vinho. Ou era isto, ou não viria, dizia rispidamente minha mãe.

De um ano e meio pra cá, precisei então perder todos os meus domingos, antes de descanso, em uma função dispendiosa, entediante, e cheia de fatos irreverentes, tais quais renderiam talvez um livro. Arrisco-me a dizer que sou um expert em viagens de ônibus. Sei de tudo. Todas as furadas, manhas, cobradores, horários, motoristas, um conhecedor completo das viagens de média distância.

Mas nem todos que viajam são conhecedores como eu. Assim como meu amigo Juremir, sou gênio da percepção. Um gênio preguiçoso, mas gênio. Percebo fatos imperceptíveis a qualquer um, ou apenas aos passageiros desligados. Semana após semana analiso tudo e todos os que se envolvem nesses diazinhos medíocres de domingo. Cheguei até a fazer as contas de quanto tempo passo dentro do veículo anualmente: cerca de 200 horas.

Como disse, todas as histórias vividas nesses domingos renderiam um livro, iria deixar de fora muitas, então como exemplo, usarei apenas minha última viagem sentido Bento Gonçalves Porto Alegre:

O ritual de todo santo domingo começa de manhã cedo, por volta das treze horas. Isso não é hora para se acordar num dia depois de sábado, deveria estar na lei. Acordo sempre pensando em qual dos horários deverei escolher. Sempre depende. Se tem jogo do Inter, é depois do jogo. Se não tem, tanto faz. Ligo para rodoviária e a atendente me saúda com a animação de sempre, num morto tom: rodoviária. Simples assim. Quem liga tem que fazer um esforço para conseguir informações. Depois de consegui-las, fico sabendo que minha única alternativa para viajar no dia seria as dezesseis e trinta e um. Sim, e um. Com pouco tempo útil, apresso-me para as malas, tenho que me lembrar de tudo: roupas, toalhas, livros e afins; quase sempre dá certo.

Depois do abraço apertado e de ouvir as recomendações semanais da minha mãe (acho que a recomendação é eterna, nunca muda), pego uma carona com meu pai até a rodoviária. No carro, as mesmas recomendações, mais amenas, porém não tão menos sérias.

É sempre assim, toda semana.

Quando chego ao entorno da Estação Rodoviária de Bento Gonçalves, entrada lateral, pela Rua Gen. Gomes Carneiro, me sinto com um pé na era medieval, um lugar grotesco, com aquela escadaria de pedra, sórdida e fria está na lista dos piores lugares que freqüento. Mas ao acabar de subi-la, a redenção. Aquela moça que vendia as passagens, merece uma descrição à David. Loura e magra com pele bronzeada e marcas do sol. Tão bonitas essas marcas de sol, todas as mulheres merecem ter uma. Fitou-me com seus olhos esmeralda e gentilmente sorriu com um ‘Oi’. Evidentemente que a loura moça falou comigo por que eu era o próximo da fila. Troquei o horário da minha passagem umas três vezes, mesmo já tendo escolhido uma, apenas para olhar a moça bonita, do nome feio, com seios rijos e pele morena do sol.

Comprada a passagem, havia um tempinho a matar, e a fartura do almoço já não faz mais efeito no estômago ruminante. A vontade de comer um salgado em rodoviária sempre existe, porém fazê-lo não é recomendável. Por mais dourada que esteja a coxinha, por mais crocante que pareça o pastel, não o faça. Agora, o cafezinho da lancheria do Gabardo é uma boa pedida, contando com o humor fenomenal dos seus atendentes. Até o Faustão fica engraçado perto da falta de humor daqueles caros.

Estou munido de três bagagens, a mala, uma sacola, e a mochila. A mala fica com o assistente, novo, ainda não descobri o nome dele. O moço ajeita cuidadosamente a mala para que não caia no balançar da viagem. Subindo no degrau do ônibus, entrego a passagem ao motorista, ele me lembra: poltrona quarenta e um. Fiquei atônito. Quarenta e um?! Sempre escolho um assento mais ao meio. Melhor, menos cheiro do banheiro. Deveria ter parado de olhar para a loura bela e perguntado sobre a disposição do assento. Além de ser no fundo, era no corredor.

Entrar no ônibus por último é engraçado, todos te olham como se tivesse algo de errado com você. Observei-os um a um, analisei todos. Mas agora me lembro apenas das estrelas peculiares da viagem. Como disse, sou um gênio falho.  Começando pelo senhor sentado ao meu lado. Ele parecia bondoso, vi isso no olhar dele, mas mesmo assim não gostei dele. Não gosto de pessoas que tentam ler o mesmo texto que eu. As vezes sento do lado de um ‘rouba-texto’. Estava lendo um material sobre acordos internacionais, e o velhinho nem aí, espiava na cara dura. E eu, legal que sou, tive que me inclinar pra ele ler também, só faltou ele pedir para que eu esperasse pra virar a página.

Atrás de mim sentou um senhor conversador, ao lado de um gurizão com gel no cabelo, de regata branca, metido a malandrão. Mas o tiozinho conversador não queria saber se ele era malandro, não queria saber o que iam achar dele conversando com um velho. O tiozinho conversou mesmo. E bastante. Se na minha prova de acordos internacionais eu escrever sobre a vida de um pedreiro, vocês sabem porquê.

Toda viagem de ônibus, pra ser completa, tem que ter um bebê chorando. E aquele bebê chorava bastante, um dos mais chorões que já acompanhei. Mas seu choro era ofuscado por um ruído maior. Um ruído que uma vez ouvido, nunca seria apagado da minha memória. Aquela senhora tinha a tosse mais chata que já ouvi, li, e ouvi falar. Aquela tosse era uma mistura de rouquidão com grito, puxando para uma necessidade de atenção. Tudo que bastava era que alguém conversasse com ela, para ela contar os seus problemas de saúde, como toda senhora mais velha faz. Principalmente em ônibus.

Ler viajando não é uma tarefa fácil, mas não tem nada a ver com o balangar do ônibus, ou das tonturas tidas por alguns. No meu caso, é o tio ‘rouba-texto’, é o pedreiro conversando com o malandrão, o bebê chorão, a senhora com a tosse gritada e fingida; até os quietos ouvindo música nos fones me incomodam. Incomodam-me por que justo naquela viagem barulhenta estava sem os meus.

Passadas cerca de duas horas do início da viagem, com o ônibus chegando próximo a  Porto Alegre, o sol começa a se por e os prédios cinzentos de Canoas a desaparecer. Vários largam seus afazeres, param de roubar os textos, param de tossir forçadamente, apenas para olhar o sol se pôr. Era um pôr do sol bonito mesmo, num misto de várias cores, às margens do Guaíba. Mas eu acho esse pôr do sol um saco. Toda a bajulação ao redor dele. Nem é tão bonito assim. E o pior, nem temos mérito nele.

Por fim, a elevada sentida pelos pneus do veículo avisam que a rodoviária está perto. O antro da sujeira da cidade, o mais medieval dos estabelecimentos, o mais feio dos lugares. Acho estranho, sempre tem uns apressados, que já se levantam, ficam a postos, arrumam suas coisas, para chegar logo nesse lugar onde até o ar é ruim. Mas no final, todos saem ao mesmo tempo, devagar e sempre, como bois rumo ao abate.

Depois de toda esta análise, lembro: Quase sempre tudo dá certo. Quase todos os domingos eu sobrevivo. Quase sempre sou um gênio. Mas desta vez não, havia esquecido a chave do meu apartamento.


Texto produzido para aula de Antropologia.

o jornalismo delinquente

March 9, 2010 - Leave a Response

Demétrio Magnoli, Folha de S. Paulo, 09/03/10

Demóstenes disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo

AS PESSOAS, inclusive os jornalistas, podem ser contrárias ou favoráveis à introdução de leis raciais no ordenamento constitucional brasileiro. Não é necessário, contudo, falsear deliberadamente a história como faz o panfleto disfarçado de reportagem publicado nesta Folha sob as assinaturas de Laura Capriglione e Lucas Ferraz (“DEM corresponsabiliza negros pela escravidão”, Cotidiano, 4/3).

A invectiva dos repórteres engajados contra o pronunciamento do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) na audiência do STF sobre cotas raciais inscreve no título a chave operacional da peça manipuladora.

O senador referiu-se aos reinos africanos, mas os militantes fantasiados de repórteres substituíram “africanos” por “negros”, convertendo uma explanação factual sobre história política numa leitura racializada da história.

Não: ninguém disse que a “raça negra” carrega responsabilidades pela escravidão. Mas se entende o impulso que fabrica a mentira: os arautos mais inescrupulosos das políticas de raça atribuem à “raça branca” a responsabilidade pela escravidão.

Num passado recente, ainda se narrava essa história sem embrulhá-la na imaginação racial. Dizia-se o seguinte: o tráfico atlântico articulou os interesses de traficantes europeus e americanos aos dos reinos negreiros africanos. Isso não era segredo ou novidade antes da deflagração do empreendimento de uma revisão racial da história humana com a finalidade bem atual de sustentar leis de divisão das pessoas em grupos raciais oficiais.

Demóstenes Torres disse o que está nos registros históricos. Os repórteres a serviço de uma doutrina tentam fazer da história um escândalo.

O jornalismo que abomina os fatos precisa de ajuda. O instituto da escravidão existia na África (como em tantos outros lugares) bem antes do início do tráfico atlântico. Inimigos derrotados, pessoas endividadas e condenados por crimes diversos eram escravizados. A inexistência de um interdito moral à escravidão propiciou a aliança entre reinos africanos e os traficantes que faziam a rota do Atlântico. Os empórios do tráfico, implantados no litoral da África, eram fortalezas de propriedade dos reinos africanos, alugadas aos traficantes.

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, convocado para envernizar a delinquência histórica dos repórteres (”África não organizou tráfico, diz historiador”), conhece a participação logística crucial dos reinos africanos no negócio do tráfico. Mas sofreu de uma forma aguda e providencial de amnésia ideológica ao afirmar, referindo-se ao tráfico, que “toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais”.

Os grandes reinos negreiros africanos controlavam redes escravistas extensas, capilarizadas, que se ramificavam para o interior do continente e abrangiam parceiros comerciais estatais e mercadores autônomos. No mais das vezes, a captura e a escravização dos infelizes que passaram pelas fortalezas litorâneas eram realizadas por africanos.

Num livro publicado em Londres, que está entre os documentos essenciais da história do tráfico, o antigo escravo Quobna Cugoano relatou sua experiência na fortaleza de Cape Coast: “Devo admitir que, para a vergonha dos homens de meu próprio país, fui raptado e traído por alguém de minha própria cor”. Laura e Lucas, na linha da delinquência, já têm o título para uma nova reportagem: “Negros corresponsabilizam negros pela escravidão”.

O tráfico e a escravidão interna articulavam-se estreitamente. No reino do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século 16, o poder do rei e da aristocracia apoiava-se no domínio sobre uma ampla classe de escravos.

No Congo, a população escrava chegou a representar cerca de metade do total. O reino Ashanti, que dominou a Costa do Ouro por três séculos, tinha na exportação de escravos sua maior fonte de renda. Os chefes do Daomé tentaram incorporar seu reino ao império do Brasil para vender escravos sob a proteção de d. Pedro 1º.

Em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que “o tráfico de escravos tem sido a fonte da nossa glória e riqueza”.

Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.

O providencial esquecimento de Alencastro é um fenômeno disseminado na África. “Não discutimos a escravidão”, afirma Barima Nkye 12, chefe supremo do povoado ganês de Assin Mauso, cuja elite descende da aristocracia escravista ashanti. Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma “amnésia geral sobre a escravidão”.

Amnésia lá, falsificação, manipulação e mentira aqui. Sempre em nome de poderosos interesses atuais.

DEMÉTRIO MAGNOLI, sociólogo, é autor de “Uma Gota de Sangue – História do Pensamento Racial” (SP, Contexto, 2009).

Cartas ao meu pai sobre Tegucigalpa

September 24, 2009 - One Response

2009/9/24 Gerson Jornal Gazeta <gerson@gazeta-rs.com.br>

Olha que interessante

O caso hondurenho

Se Zelaya não está abrigado pelo estatuto de asilado político, não poderá se manifestar, o que contraria o objetivo da armação para seu retorno

Esta história de Honduras está mal-contada na imprensa brasileira, prezados leitores, desde que o rico empresário madeireiro Manuel Zelaya foi forçado a deixar a presidência do país, em 28 de junho, até anteontem, quando foi instalado na nossa embaixada, em Tegucigalpa. Por que Mel (é o apelido dele) foi apeado do poder? Porque queria realizar um plebiscito sobre seu projeto de convocação de uma assembléia constituinte que alterasse a Constituição do país, em especial o artigo 239, que proíbe a reeleição presidencial. Ou seja, o mesmo que fizeram Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador, através da “democracia plebiscitária” que impuseram a seus países. Se isto é jogo limpo ou sujo, é outra questão.

O fato é que o artigo citado da Carta hondurenha não apenas proíbe o segundo mandato, como determina que qualquer cidadão que proponha a sua modificação, de forma direta ou indireta, deve ser imediatamente retirado do cargo público que ocupa. É cláusula pétrea, como o sistema republicano na nossa Constituição. Estranho, mas é. Contudo, Mel forçou  a barra e pretendeu realizar o referendo naquele mesmo dia de junho, para o qual, aliás, as cédulas estavam prontas, impressas em Caracas por conta do coronel bolivariano. Destaque-se que a consulta popular foi rejeitada com ilegal pelo Congresso e pelo Judiciário (Procuradoria-Geral, Tribunal Eleitoral e Suprema Corte).

Resultado: as Forças Armadas detiveram Mel, por tentativa de violação da Constituição, puseram-no num avião e largaram-no na Costa Rica. Aí começou a inana ideológica, capitaneada pelo tiranete venezuelano, e imediata e infelizmente acolitada pelo Brasil. Se vocês tem dúvidas a respeito, prezados leitores, confiram todas estas informações nos sites dos dois principais jornais hondurenhos, La Prensa e El Heraldo, e leiam na internet a Constituição daquele país, que, a propósito, não prevê o mecanismo do impedimento para afastar governantes que ajam contra a legislação. Não há como afastar a perspectiva de que Lula, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia nos botaram numa fria, em troca da defesa da tese do populismo plebiscitário, originada no Foro de São Paulo.

Response:

Pai

Essa história está mal contada mesmo na imprensa brasileira, mal contada nesse email também.

Primeiramente ele diz que “Se Zelaya não está abrigado pelo estatuto de asilado político, não poderá se manifestar” O que acontece é exatamente ao contrário. Se ele pedir asilo político, e este for aceito, aí sim ele não poderá se manifestar publicamente, como o Governo brasileiro já negou esta possibilidade, ele tem o direito de manifestação.

Como futuro analista de relações internacionais, tento sempre ser imparcial e analisar todas as versões levantadas, algumas delas não circulam na grande mídia:

Zelaya há algum tempo está chamando esse problema pra si mesmo, adotando um neobolivarianismo chavista, o antigo presidente Hondurenho firmou uma política de trocas de tecnologias e fornecimentos de remédios com Cuba (!). O único problema é que a família que é dona da maior rede de comunicação de Honduras é também dona da maior farmacêutica, ou seja, comprou uma briga indireta com a imprensa.

Quase como se já estivesse pensando em uma futura reeleição, o então presidente aumentou o salário mínimo abruptamente causando um desconforto com empregadores de todos os setores, porém sua aceitação popular subiu.

Cheguei a ler a constituição hondurenha, realmente existe o artigo onde é negado qualquer tipo de alteração constitucional para perpetuação de poder. Aí entro em outra questão, por que o apoio americano para a volta de Zelaya ao poder? Se ele seria reeleito em um plebiscito democrático, assim como Chavez, eterno inimigo norte americano. É muito difícil julgar quem está certo e errado, pois ele infringiu a lei sim, mas o povo que votaria em sua reeleição também.

O que mais me intriga neste caso hondurenho é a participação do Brasil. Inicialmente a posição que Governo brasileiro em conjunto com Itamaraty tomou foi de retirada do embaixador. Diplomaticamente isso é um ato de descontentamento com algum fato acontecido, no caso a ‘invasão’ do ex presidente à embaixada. Uma coisa que no curso nos foi deixado claro é que, não se tira um embaixador sem tirar o ministro conselheiro, ele é acreditado pelo Itamaraty e tem praticamente todos os poderes do embaixador, então de nada valeu tirá-lo. O Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim chegou até a pedir uma convocação do Conselho de Segurança da ONU, os membros negaram, entendendo que não era uma questão de perigo internacional. Depois voltaram atrás e fizeram a reunião do Conselho.

Uma versão não tão menos possível é que o Brasil esteja de fato correlacionado com a volta de Zelaya ao poder. O que se pergunta entre professores e acadêmicos é por que o uso da embaixada brasileira, e não a costa riquenha, com muito mais tradição diplomática e envolvimento nas questões da América Central do que a brasileira. Como já sabemos o ex presidente entrou no seu país por por meios ilícitos via El Salvador, existe a possibilidade de uma triangulação El Salvador-Brasil-Venezuela.  O avião que levava Zelaya supostamente até Nova Iorque, partindo de Caracas, fez meia volta e parou de fato em El Salvador, para uma jornada até a embaixada brasileira com direito viagem de porta-mala. Vale lembrar que a primeira dama de El Salvador é brasileira, e não só, uma das fundadoras do PT, amiga pessoal de Lula. Que é estranho, é, mas não podemos julgar nada em cima de provas substanciais, porém, deve ser analisado.

LULA & VANDA (PT)

A única coisa que ficou clara pra mim neste estudo é que a democracia latina é extremamente frágil e incipiente, passível de mudança a qualquer instante. Essa vulnerabilidade deve ser trabalhada em conjunto, com todos países latinos, por isso cada vez mais o profissional internacionalista está valorizado.

xiitas e canibais

July 19, 2009 - One Response

Apolítica é a arte de colocar rótulos negativos nos adversários. Houve um tempo em que a esquerda era especialista nesse tipo de operação. Depois, a direita foi para o ataque e, como tem mais espaços na mídia, impôs a sua retórica. O maior sofisma da direita foi espalhar que não existiam mais esquerda e direita, o que obviamente é um pensamento de direita. O interessante é que a direita denunciava o fim da divisão entre esquerda e direita ao mesmo tempo em que designava a esquerda como fator de atraso social. Os rótulos inventados pela direita que mais pegaram e desqualificaram as pessoas de esquerda foram ‘xiita’, ‘fundamentalista’, ‘radical’ e ‘fanático’. Tudo o que pode ser aplicado à direita.

Quem é mais perigoso para o Brasil: Heloísa Helena ou José Sarney? Quem fez mais mal ao mundo: Bové ou Bush? Quem foi mais radical: Dick Cheney ou Hugo Chávez? Quem é mais xiita: Pedro Ruas (PSol) ou Paulo Feijó (Dem)? Eu não tenho dúvida alguma. Bush era xiita, fundamentalista, radical e fanático. Paulo Feijó é o vice-governador mais xiita da história do Rio Grande do Sul e talvez do Brasil. Bem que a tucana Yeda Crusius merece. Quem é mais transparente e coerente: o PSDB de Yeda ou o PSol de Luciana Genro? Quem é mais xiita: Luciana ou Yeda? Mais uma vez, não hesito: Luciana Genro é um exemplo de coerência política e de republicanismo. Supera até Gabeira, que pisou em casca de banana e mandou uma filha passear no Havaí com passagem da Câmara dos Deputados.

O xiitismo neoliberal afundou o mundo na sua maior crise depois de 1929. O xiitismo de Yeda já conseguiu superar o de Antonio Brito. A tucana garante que está sendo vítima de uma campanha da oposição. Lair Ferst é da oposição? Marcelo Cavalcante era da oposição? Paulo Feijó é da oposição? Os mais de 20 secretários que abandonaram o barco ou foram defenestrados eram de oposição? A Polícia Federal e o Ministério Público são da oposição? As maracutaias no Detran nunca existiram? Foram uma mera invenção da oposição? Por que Yeda Crusius não processa aqueles que supostamente a ‘caluniam’? Tem muita coisa mal explicada nesse barraco todo. Muita retórica, pouca substância. A moderação costuma ser o melhor álibi do radicalismo. Nada mais radical do que um ‘moderado’.

O PT era radical. Hoje, é moderado. Ficou muito mais perigoso. Radicalmente mais fanático. Por cargos. Ganhou um jeito de PMDB, o mais xiita dos partidos brasileiros com verniz moderado. Quem é mais radical, xiita, fanático e fundamentalista: Renan Calheiros ou Eduardo Suplicy? Edmar do Castelo ou Maria do Rosário? Sérgio ‘Estou me Lixando’ ou Marta Suplicy? Os pontaleiros ou os ecologistas? Delfim Netto ou Guido Mantega? Mônica Leal ou Margarete Moraes? Olavo de Carvalho ou LFV? (aí a briga é braba). Marisa Abreu ou o Cpers? A revista Veja ou a Carta Capital? (outro empate técnico). A direita, além de xiita, radical, fanática e fundamentalista, é canibal. A ideologia da direita é dizer que não tem ideologia.

by Juremir Machado da Silva on 6/17 CP

Fica Sarney

July 6, 2009 - 2 Responses

Não é que eu não goste da Dilma. Só não quero ela eleita. Li uma entrevista com ela, onde a tal ministra-chefe da Casa Civil explicava a paralização de 60% das obras públicas no PAC. Segundo ela as obras estão no papel -a fase burocrática- ainda pois são os pilares de uma boa obra.  Hã?

Porém a petista pródiga lançou uma linha de pensamento interessante a respeito dos  escândalos envolvendo o presidente do Senado Federal. Dilma pede para que o povo não “demonize” José Sarney, para que não o responsablizemos pela crise, lembrando ainda que as irregularidades no Senado acontecem há mais de quinze anos e nada é feito. Todos nós, inclusive os senadores, sabíamos da corrupção que assolava a casa, senadores os quais ignoravam e se desinteressavam pelo fato.

Pedro Simon (PMDB-RS) volta e meia faz uns discursos emocionantes no plenário, pede para o Sarney largar a presidência, chama ele de ladrão e tudo que tem direito. Mas será que estando lá desde 1978, não teria o senador gaúcho capacidade para pressentir e tomar decisões sobre estes escândalos que arrondam Brasília?!

Pedir a queda do Sarney está na moda. Mas divido minha opinião com a pupilo de Lula, não podemos demonizar o presidente do Senado, esperando que quando ele saia, tudo se resolva. A corrupção do governo Lula, não se limita à Sarney, vide escândalos Renan Calheiros, Severino Cavalcanti, Antônio Palocci, Mensalão, passagens aéreas, cartão corporativo entre muitos e muito piores.

Atos secretos? Omissão de declaração de imóveis? Nomeação de parentes em cargos públicos? Isto é muito pouco perto do que tinhamos antes.  Fica Sarney!

voltando

July 2, 2009 - Leave a Response

nem muita coisa mudou desde meu último post.

alguns aviões caíram

umas pessoas pegaram uma gripe estranha

algumas farras no congresso brasileiro, entre elas a das passagens e os atos secretos do sarney (este merece um post mais além)

aquela palavra batida, tenho que dizer. a crise econômica rulou.

postarei no blog assuntos ligados às relações internacionais, e seu estudo também.

voltando aos poucos

easy going

baby steps

Novelinha

June 3, 2008 - 5 Responses

Sabia que este dia iria chegar. Desde quando tinha uma leve noção de princípios políticos e seus movimentos, já previa que existiria este período obscuro de governância petista. Quem sabe um dia uma parte do nordeste brasileiro olhe para nosso passado e diga como estes oito anos foram ruins em seus pilares éticos. Melhor dizendo, duvido muito que o nordeste brasileiro se arrependa de ter votado em um presidente que distribui mais de 10 bilhões de reais em programas de auxílo à classe D. Não gosto e não quero nenhum petista governando meu país. Sem exceção, digo todos, nem sequer um de sobra, todos tem envolvimento ou seja com mensalões, gastos excessivos em cartões corporativos, formação de quadrilha, fraudes com lobistas e por aí vai.

Esta safadeza institucionalizada dos congressistas corroe cada vez mais algum possível existente valor ético e moral dentro do Brasil. Abrindo um parênteses dentro dos congressistas, venero o fato do deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalg ter ganho até agora 900 milhões de reais atentendo à causas da ditadura. Recebendo apenas 30% sobre cada causa ganha, estima-se que ao acabar todas elas, o deputado ganhará em torno de dois bilhões de reais.

Ditadura lembra Dilma. Quando eu reclamei de todos os petistas, sem exceção, eu lembrei sim de Dilma. A queridinha de Lula, e já cotada a candidata para 2010 tem incrívelmente 26% de aceitação dentre os companheiros petistas para assumir a presidência. Dilma é contra a transnacionalização da Petrobrás para os Estados Unidos. Incrível! Dilma também foi reclamar com o presidente Lula sobre a entrevista dada por Tarso Genro à ZH. Tarso se faz de bobo, fala que não sabe se vai ser candidato ou não, não está muito abaixo dentro das estimativas no partido, faz 24% de aceitação. No outro lado do esquema todo, tucanos tem a aceitação de 67% de José Serra. Será que dessa vez vai?

Falando de pesquisas, foram aceitas as pesquisas com células-tronco embrionárias. Já disse que essa discussão era em vão, não existe qualquer motivo maior que impeça o desenvolvimento da ciência. Mas já que foi preciso, vale lembrar que o STF é acima de tudo um tribunal laico, então os cegos teístas merecem aceitar a decisão dos juízes.

Deixei o melhor pro final, me sinto um noveleiro, um Aguinaldo Silva: sobre o fim das Farc. A revista Veja mostrou o início de um declínio dentro das guerrilhas colombianas com a morte de Negro Acácio, chefe do narcotráfico, morte de Raúl Reyes, número dois na hierarquia, morte do el supremo das forças armadas, Manuel Marulanda. as Farc não vão acabar, muito menos falir. A nova cpmf está sendo discutida, sabe pra que ela vai servir? Pras Farc, juro. na saúde pública esse dinheiro não vai, todos sabemos. Tenho motivos pra desconfiar que esse dinheiro vai pras Farc. Quem quer a nova cpmf são petistas. Altemir Gregolin, Ministro da pesca brasileiro (esse ministério existe), contratou ninguém menos do que a esposa do representante das Farc no brasil. a explicação de Gregolin é bem boa, ele disse que ela foi contratada como qualquer outra, seu currículo foi analisado como qualquer outro. A nova cpmf brasileira, se entrar em vigor, arrisco a sorte em dizer que vai parar na Colômbia. O PT não nega as raízes revolucionárias. E como ninguém que está no poder revoluciona, acharam um jeitinho de financiar uma outra revolução.

Evoluam comigo

March 23, 2008 - 7 Responses

Estudos sugerem que nós seres humanos começamos há existir há duzentos mil anos atrás. Desde então nosso cérebro ficou encarregado de criar sonhos.
A Universidade de Chicago comprova que o cérebro humano,inventor dos sonhos, está em constante evolução, principalmente nos últimos trinta e sete mil anos.

Enquanto sonhamos dormindo, não temos o controle do que poderá acontecer naquele singelo mundo fictício elaborado por nossos neurônios. Esse tipo de sonho é ótimo para crescermos em inúmeros sentidos.

Sonho também significa meta. Um sonho com o sentido da palavra aspiração, é benéfico ao convívio em sociedade, onde pessoas
traçam metas alinhadas em bem-estar individual ou coletivo. Já a criatividade humana, desenvolvidas nos sonhos, é extremamente prejudicial à todos.
Poderia citar inúmeras invenções do homem que nos atrapalham hoje em dia. Mas, me focarei na pior delas: Deus.

Quisera eu que o ceticismo fosse inventado antes que o teísmo. Discordando de Voltaire que disse que se Deus não existisse, deveríamos inventá-lo; Esse é um
mero sonho utópico onde o ser humano em espécie de amnésia coletiva simplismente esquecesse quaisquer forma de idolatração à um ser superior. Sem esquecer
dos lentamente criados princípios morais e éticos.

Li um livro sobre um príncipe uma vez, nele aprendi que os fins justificam os meios. Essa linha de pensamento muitas vezes causa revolta, mas para meu sonho ser concluído, essa idéia deveria ser seguida cegamente. Sonho em um mundo sem idolatrações inventadas. Essa foi uma necessidade sonhada há muitos anos atrás onde humanos precisavam sim de idolatrias. Mas partindo do princípio que somos constantes evoluções, me arrisco expôr que não precisamos
mais de alguns padrões impostos previamente na antiguidade.  Utopia hoje, amanhã quem sabe?

Riam comigo.

March 16, 2008 - 12 Responses

Está comprovado! Por quem? Por Pedro, óbvio. A instituição religiosa-mor além de ser socialista, é contra o crescimento e globalização mundial, envenenando e causando morte lenta em todos seus seguintes. Já desconfiava desde a época em que a CNBB lançou a CF 2008. Apontando que os grupos de pesquisa em células-tronco deveriam ser altamente eficientes e competitivos, e isso somehow faria mal para a sociedade.

 Agora aparecem com essa de novos pecados capitais. Não sei se fico mais maravilhado em como o departamento de marketing do Vaticano é ótimo, ou se pelo fato de poder rir por horas sobre os novos e temidos pecados capitais. Fazer modificações genéticas agora é pecado -pausa para risadas- mesmo? Agora acho que todos cientistas não vão mais fazer nenhuma. Outros três pecados capitais bizonhos são invariavelmente conectados.

Prestem atenção: Causar injustiça social. Causar pobreza. Tornar-se extremamente rico.

Leiam de novo: Causar injustiça social. Causar pobreza. Tornar-se extremamente rico.

Existe um nome para isso, se não lhe ocorreu ainda, isso se chama CAPITALISMO. Aí se comprova minha teoria, que a igreja é socialista, contra o capitalismo e vice-versa. Com um pé na realidade como diria Dona Ana, a Igreja prega o socialismo, mas não o executa,  senão a mesma não seria uma instituição bilionária. Em pleno século XXI encontrei socialistas ocultos até então, os desejo boa páscoa.

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